sábado, 6 de maio de 2017

O tempo e a uva


Há quase dois anos não escrevo aqui. Nem percebi o tempo passar. Mas, isso é assim mesmo. O tempo é a coisa mais imperceptível que existe. Quando a gente vê "foi". Passou. É como fumaça. Cheiro forte. Densa. Sinal de fogo. Puf... acabou. E a gente nem lembra mais.

Você já parou para pensar em como tudo passa tão rápido? Um filme, uma música, uma viagem. E, quanto aos sentimentos? Pense nos motivos que nos fazem chorar. Olhamos para trás e percebemos o quanto desperdiçamos lágrimas por coisas que nem eram de chorar tanto. Naquele tempo o motivo era motivo, ora. Deixemos assim.

Então, voltamos para o hoje. Para os sentimentos de agora. Precisamos anotar, argumentar e dar valor. Acredite, vai passar. Amanhã você vai estar completamente arrependido de usar amarelo com marrom. Logo, outras cores virão para alegrar a sua vida e o verde com bolinhas roxas vai estar na sua moda. É como o sapato de verniz. Voltou. A gente não sabe se compra ou se espera passar a moda, ilesos dessa aquisição.

E as brigas? Desnecessáááárias. Sinceramente, quando vamos aprender a discordar sem romper relações? Deixar o tempo passar, fugir do calor da situação e responder depois. Para isto o tempo é amigão. A gente que ignora a deixa.

Hoje é tempo de repensar o tempo. Ele passa e nem nos avisa. A uva que o diga!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Como não poderia ser de qualquer jeito, Ele chegou no meio da festa


Na jornada de escrever sobre o livro de Atos consegui a façanha de chegar ao capítulo 2. Notem que faz mais de um ano que comecei. L Vamos em frente! At 2. 1-13

Na Bíblia NVI (Nova Versão Internacional) o título do capítulo 2 é ‘A Vinda do Espírito Santo no Dia de Pentecoste’. Neste dia, os discípulos de Jesus estavam reunidos num só lugar. Parece redundante: ‘reunidos num só lugar’. Penso que Lucas já previa os tempos de internet, quando estamos reunidos, mas em lugares diferentes.

A Festa de Pentecoste era realizada todos os anos e tinha tudo para ser igual às outras. Mas não foi. De um lado turistas, crianças, curiosos. Tinha gente de muitos lugares diferentes. Pessoas leves, com o intuito de passear e sair da rotina. De outro lado, alguns homens aflitos, preocupados em cumprir uma missão. Não tinham entendido direito ainda o que aconteceu com o seu Mestre. Ainda degustavam os últimos acontecimentos.


Dias antes ceavam com Ele. Viram-no curar e ensinar como nenhum outro. Que voz era aquela que ao ecoar atraía milhares de pessoas? Viram-no perder a força e sufocar a eloquência nas chibatadas dos seus algozes. Dias depois, viram seu túmulo, vigiado pelas autoridades, vazio. O corpo de Jesus sumira. Não. Apenas voltou para o lugar – entre os Seus.

Neste contexto, alguém esperava ansioso para estar com a humanidade. O Espírito Santo. Sempre O imagino a correr de um lado para o outro no céu e insistir: “Pai, deixa-me descer”? Chegou a hora. Como não poderia ser de qualquer jeito, Ele chegou no meio da festa. “Causando” como dizem os jovens. “De repente veio do céu, um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa”. Atos 2.2

Imagine a cena. Línguas de fogo vieram do céu sobre as pessoas. Objetos saíram do lugar. A música que dançavam passou a ser outra. Vozes terrenas começaram a se comunicar com anjos. Deve ter sido uma coisa extraordinária. Se aqui na terra, quando somos visitados pelo Espírito, ficamos como embriagados, imaginem na primeira vinda? Lucas nos conta que as pessoas ficaram atônitas e maravilhadas e perguntavam uns aos outros: “O que significa isso”? (Lc 2.12) Deve ter sido tudo! Aliás, foi tudo!


Sempre tem alguém na espreita, na tentativa de estragar a festa. O capítulo encerra com zombadores e incrédulos, mas não tem importância. No fundo eles sabiam que era a promessa da vinda do Consolador que se cumpria. Como acabou a festa? Não acabou. O Espírito Santo gostou tanto da recepção que ficou entre nós até hoje.

Dois pesos e duas medidas

Certa vez saí chateada de uma aula de Sociologia da Comunicação quando a professora nos explicou a origem e a cultura do “jeitinho brasileiro”. Expressões, ou melhor, atitudes como carteiraço, “não faz mal mentir um pouquinho, atrasar um pouquinho, enganar um pouquinho”, entre outros jeitinhos, viraram características do brasileiro.

A esperteza, acima da simplicidade do outro, desperta orgulho nos quatro cantos do país e a malandragem virou charme. Então, nos alarmamos com a corrupção no governo e nos sentimentos lesados pela desonestidade daqueles que deveriam atender as necessidades da população.
Bom. Não era sobre isso que eu ia escrever. Mas sobre algumas regras valerem para uns e não para outros. Sabe quando você pergunta: “Quanto é?” E alguém responde: “Pra quem é?” “Será que podes atender tal dia”? “Depende quem precisa de atendimento”. Todo mudo se incomoda quando algo precisa ser julgado e a sentença fica a mercê das personagens da situação e não da justiça. Mas, e se for conosco?

Usar dois pesos e duas medidas é qualificar uma situação de acordo com a conveniência dos interessados. A expressão vem dos comerciantes desonestos que usavam duas balanças e dois metros para negociar. 

A Bíblia critica este comportamento:“Não tenham na bolsa dois padrões para o mesmo peso, um maior e outro menor. Não tenham em casa dois padrões para a mesma medida, um maior e outro menor. Tenham pesos e medidas exatos e honestos, para que vocês vivam muito tempo na terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá. Pois o Senhor, o seu Deus, detesta quem faz essas coisas, quem negocia desonestamente.” Dt 25.13-16

Como brasileira, insisto em dizer que tem brasileiro honesto. Sim. Têm brasileiros que devolvem o troco, que assumem erros, que pagam as multas que mereceram, que lutam por igualdade, que não aceitam o que é do outro. Vivemos no mundo da indicação para o emprego, do ‘alívio’ das penalidades para os conhecidos, entre outros pesos e medidas diferenciados. Cabe a nos não nos conformarmos e, se possível, fazer soar o alarme.


Comigo não, violão! 

Luisa Neves

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Que tal se amar mais?

Hoje consegui fazer algo que me agrada muito. Caminhar cedo da manhã, com fones de ouvido cantarolando. Espero ardentemente que ninguém tenha me ouvido porque afinação aqui passou longe.

Parece simples pra você? Então aproveite. Minha agenda de acadêmica, pastora, estagiária e dona de casa tem me mostrado que dormir até às 6:30 da manhã é luxo puro. Sendo assim, caminhar meia hora é tudooo. Mas, vamos em frente.

Pensava então, na caminhada matutina, o quanto investimos no outro. Isto é bom, valorizar as pessoas e preservar amizades são virtudes. Quem tem amigo tem tudo, já dizia alguém. (Agora não vou conferir o nome do autor, talvez depois).

Sem negligenciar o valor que devo dedicar ao próximo, entendo que devo gostar mais de mim. Temos mania de valorizar nossos defeitos numa pseudo humildade e de achar que o mundo, coitado, tem que nos aguentar.

Caro amigo, não é bem assim. Tem algo em nós que não tem em nenhum outro ser humano. Tenha certeza disso. Ah, vocês já sabia? Perdoe-me a tardia conclusão, mas tenho que compartilhar o que descobri. 

Perto de nós tem pessoas que gostam da nossa companhia, que riem de nossas piadas sem graça, que nos esperam para contar alguma coisa que ninguém mais entenderia. Do jeito que você sorri, só você sorri. Do jeito que se expressa, só você. Ninguém arregala tanto o olho para contar algo como você. É sério!

Da mesma forma, quando choras, é inconfundível. E os dramas? Ninguém lhe supera. Por outro lado, quando algo bom acontece, sorri com as mãos, com os olhos e, pasme, até com a boca. Você é amável demais. Ninguém acha isso? Comece por você!

Enquanto caminhava, o Espírito Santo me dizia: "Você tem que estar onde lhe valorizam." Percebi na hora que o meu principal algoz sou eu mesma." Tenho amigos e uma família maravilhosa. Irmãos em Cristo que me acolhem em todos os momentos, inclusive, naqueles que nem eu me aguento.

Então, resolvi me apaixonar. Já sou uma pessoa apaixonada, dessas que se entregam e choram por tudo e todos que gosta. Agora, vou me apaixonar por mim um pouquinho e me apreciar. Vou me esforçar para me conquistar e sei que vai dar trabalho. 

Não vai ser nada fácil, mas paixão é assim mesmo, a gente se sacrifica. Tomara que eu não seja muito difícil de corresponder ao meu amor próprio. 


sábado, 23 de maio de 2015

Bia

Eu não sei de onde ela vem. Se vem de casa, do trabalho, da companhia dos amigos, da igreja...
Também não sei como foi o dia dela. Se passeou, se dormiu, se correu o dia inteiro...
Recuso-me a definir seu perfil. Acho que é organizada. Destas bem exigentes, que trabalha com prazo, os quais nunca perde, sempre se adianta.

A história dela? Desista. Nunca conversamos mais de 10 minutos seguidos. Deve ser de alguém que gosta de estudar, ler, se aperfeiçoar e que sempre amou a Deus. Ah, ela ama comer bem. Aliás, bom gosto é um de seus atributos. Não investiguei. É visível. Repare como se arruma, como escolhe seus amigos, como se comporta.

Acho que a Bia nunca chora. A não ser que ela chore sorrindo. Tem gente que é assim. Seus dias difíceis são guardados entre ela e Deus. Nunca a vi reclamar. Exigir sim. Que diga sua 'equipe' em cada evento que organiza. Eu, com o meu imediatismo passo longe. Não é medo, é respeito. Que fique bem claro. :)

A Bia é de uma prontidão inigualável. Quando a gente pensa, ela já fez. Não a vejo reclamar, pestanejar ou achar algo difícil de fazer. "Bora, Lulu. Damos um jeito". Basta ouvir isso e as coisas caminham. Sabe, eu acho que ela usa palavrinhas mágicas. Ou é espírito de liderança mesmo.

Confiável. Motivadora. A Bia investe nas pessoas. Investe com o olhar. Não falo de um investimento material ou expectativas depositadas. Ela vê as pessoas como elas são e faz de cada uma importantes em algum sentido. Não sei explicar isso, mas é assim, acredite. Até eu me sinto importante perto dela.

Bia é amiga. Os amigos gostam de estar com ela. Basta reparar no bolinho que se forma ao seu redor. E quem pode esquecer dos pratos que ela posta (no meu caso só posso dizer que vejo) nos encontros com os amigos? Cada amigo tem uma particularidade para a Bia, um nome carinhoso, uma característica. Ressalto ainda que, apesar de exigente, ela defende os que ama com unhas e dentes.

Honesta, inteligente, sincera (e como!). Melhor assim, né? Beeeem melhor. Em comum com a Bia? O amor a Deus e ao chimarrão. Sinto-me pequenininha perto dela. Sua grandeza vem de dentro, não é física. É isso. Seu sorriso me convence que a Bia nunca chora.

Se chora, o faz sorrindo. A Bia chora sorrindo. É isso.



domingo, 3 de maio de 2015

Do crescimento


Ele acontece todo os dias, o dia todo.
Quando se dorme, quando se está acordado.

Tem gente que diz que crescer dói.
Outros dizem que cresceram tão rápido que nem viram.
Neste caso não deve ter doído. Não muito.






Há quem cresça com a dor. Com as pancadas da vida.
Outros crescem sorrindo. De tudo tiram uma gargalhada.
Choro só por dentro. Choro faz crescer.

Criativos crescem fazendo arte.
Intelectuais insistem que só há crescimento no meio dos livros.
Pais juram que os filhos nunca crescem.
Filhos querem crescer antes do tempo. Sem ser a hora.

Críticos bradam que o julgamento é agente de crescimento.
Jesus cresceu em estatura, em graça, em conhecimento.
Tem gente que demora a crescer.
Tem gente que não cresce.

Eu? Escolhi crescer.
Se é questão de escolha?
Não sei.
Há de se crescer para responder.
Estou crescendo.
Por Luisa Neves que teima em crescer.

domingo, 19 de abril de 2015

Da contemplação

Procurei no dicionário o significado da palavra contemplação. Confesso que achei as definições um tanto rasas: ação de contemplar, concentração do espírito para assuntos intelectuais e religiosos.Eu já queria descrever a palavra da seguinte forma: parar tudo e aproveitar o momento.



Você não percebe o quanto corre e perde o principal da vida.  Sabe quando assiste um filme e dá uma cochilada e ao acordar perdeu o ápice da história? Eu sei o que é isso. Sempre durmo quando vejo filmes. É desta forma que temos passado por esta vida. Perdendo o privilégio da contemplação.

Se estamos em casa, pensamos em como seria estar no trabalho. Se estamos no trabalho não conseguimos nos concentrar porque gostaríamos de estar em casa. Se viajamos sentimos falta de casa. Quando em casa, desejamos ardentemente viajar.

Dia após dia. Sempre assim. Uma inquietação. Pressa. Vontade de estar e logo vontade de fugir. Não sentimos o sabor do sorvete, se é de ameixa ou passas ao rum, porque temos que correr para a fila do banco. Se vai tomar o sorvete, faça só isso. Quando estiver na fila, aproveite o momento para cantarolar (baixinho, é claro) uma canção que goste.

Contemple o chimarrão com a mãe. O café com os filhos à volta da mesa. Concentre-se nos momentos com Deus. Pinte as unhas com calma. Na academia, esqueça o celular. Ao conversar, olhe nos olhos. E, no próximo filme, não durma. Contemple.

Luisa Neves
#naoconsigopararquieta #voutentar